Na América Latina, há mais de 16.000 governos locais que enfrentam diariamente desafios cada vez mais complexos: segurança, mudanças climáticas, mobilidade, saúde. Eles são o primeiro ponto de contato entre o Estado e a cidadania e, por isso, o motor mais próximo para transformar os territórios.
O problema é que, embora os municípios passem anos desenvolvendo novas capacidades para se adaptar, esse conhecimento raramente é sistematizado. Aprende-se, mas não se compartilha. Repetem-se esforços que outros já resolveram.
Este relatório busca fechar essa lacuna: entre 2019 e 2022, a Unit trabalhou com 170 governos locais de 17 países, combinando programas de transformação, processos de codesign e design estratégico. Desse trabalho —cruzado com revisão de literatura acadêmica— surgiu esta síntese, pensada para transformar o conhecimento prático em algo replicável.
170
governos locais analisados pela Unit entre 2019 e 2022
17
países representados na amostra
Este primeiro número é pensado para quatro tipos de leitores:
- Pessoas que trabalham em serviços públicos locais e buscam inovar no dia a dia.
- Dirigentes públicos que buscam um caminho concreto para transformar suas organizações.
- Pessoas e organizações que colaboram com governos locais e querem entender melhor como gerar sinergias.
- Organismos de financiamento, multilaterais e ONGs que buscam evidências sobre os desafios locais a partir da prática.
O achado central é que os governos locais, sem se coordenarem entre si, desenvolvem capacidades muito semelhantes para enfrentar problemas muito semelhantes. Essas capacidades —tomando a noção de "capacidades dinâmicas" de Rainer Kattel— agrupam-se em três dimensões:
Aprender
(1)como as equipes incorporam novos conhecimentos à sua prática diária, do "aprender fazendo" ao uso de evidências e métodos de outras disciplinas.
Conectar
(2)como se articulam com outros atores do território, comunicam na linguagem do seu público e projetam processos de codesign honestos e legítimos.
Sinalizar
(3)como mobilizam pessoas, aceleram projetos e alinham recursos e instituições em torno de um propósito comum.
Cada padrão vem acompanhado de um caso real —Bogotá, Hermosillo, Renca, São Paulo, Peñalolén, Marcovia, entre outros— que mostra a capacidade em ação, não apenas na teoria.
O caminho para gerar transformações não está na tecnologia. Está nas pessoas e em todos os atores que participam do território.
O relatório propõe três passos para levar isso à prática em qualquer organização:
Socializar
(1)dar a conhecer os padrões aos atores que participam do território.
Diagnosticar
(2)entender o estado de maturidade da própria organização e da sua equipe, e identificar lacunas.
Agir
(3)traçar rotas de ação concretas para desenvolver cada capacidade.
O relatório completo —com os 10 padrões em detalhe, os casos destacados e as reflexões finais— está disponível para download.
Como citar?
Unit (2023). Patterns of Transformation: the experience of local governments. Public Design No. 1, March 2023. Unit. Santiago, Chile.

